quarta-feira, 30 de março de 2011

Igualdade se aprende na escola.


Recentemente assisti uma discussão no Senado sobre o Estatuto da Igualdade Racial.
Não posso me privar de discorrer  minha humilde opinião a respeito do assunto, assim vejamos:
Polêmicas a parte usar o termo raça para definir seres humanos de cores diferentes em pleno século XXI é no mínimo um equivoco.  Os seres humanos pertencem a mesma raça, como o próprio nome já diz, somos todos humanos. Se estivermos passeando pela rua e vermos um cachorro, não iremos dizer – Oh! que lindo Dálmata (pastor alemão, goldem ou podle) !, dizemos simplesmente – Oh que lindo cachorro!
Contudo quando se trata de seres humanos adoramos rótulos e estereótipos e assim reafirmamos a nossa incompetência em nos enxergar como iguais, em nos reconhecer como membros de uma única raça, a Humana.
Voltando ao Estatuto da Igualdade Racial, o nome apropriado seria igualdade humana, enquanto se perpetuar essa idéia de raça, perpetuaremos o preconceito, que é realmente o grande vilão social.
Historicamente sempre houve grupos que subjugaram outros, quando a humanidade vivia em estado natural prevalecia a Lei dos Mais Fortes, e eram eles que dominavam, os mais fortes eram os que sobreviviam e os que lideravam o bando, aprimorando naturalmente a raça. Entretanto quando o bicho humano aprendeu a usar a natureza em seu favor, promoveu uma certa inversão de valores, que prevalece até os dias de hoje, na qual os mais espertos é que sobrevivem. Para conseguir sucesso em tal objetivo o humano desenvolveu técnicas primorosas de subjugação.
A primeira vitima foi a mulher, gênero feminino da raça humana, e até hoje, em muitas partes do mundo vem lutando para retomar a igualdade solapada em tempos remotos.
A evolução biológica da raça humana desenvolveu nos humanos algumas características para que eles se adaptassem ao meio ambiente em que viviam, olhos claros, olhos escuros, cabelos espessos, finos, grossos, louros, negros, cor de pele variando do bege leitoso ao breu, nariz fino, batatudo, grande, pequeno, enfim, se os preconceituosos de plantão se dessem ao trabalho de investigar a origem do ser humano saberia que seu preconceito é pura falta de informação,ignorância.
Sim, ignorância, essa é a raiz do preconceito, e é dela que se valem os espertos de plantão para subjugar os seres humanos.
Como mudar isso? Uma lei? No Brasil existe lei pra tudo, e por quê? Porque impera a ignorância.
O que pode mudar esse estado de ignorância é sem duvida pela educação, e ai entra o  professor. (Alguns já devem estas pensando, mais uma nas nossas costas). É responsabilidade do professor mudar essa  situação, é do professor a responsabilidade de mudar o “status quo” da sociedade, e como fazer isso?
O Professor é antes de tudo um ser humano, sujeito às complexidades que envolvem essa condição, esse individuo é também subordinado as paixões e incertezas da existência e é resultado das escolhas que fez e da educação que recebeu, sem falar no meio em que vive, sendo assim, leva para a sala de aula suas crenças e ideologias. Tudo o que foi vivenciado por um professor reflete em seus alunos, portanto se o professor tem preconceitos, fatalmente seus alunos vão perceber, e muitos serão alimentados dele.
Um professor comprometido, consciente de seu papel na formação da sociedade, terá sempre uma postura esclarecida sobre as mais diversas formas de preconceito que permeiam o cotidiano e sua ação será sempre no sentido de levar luz para as sombras da ignorância  e assim, finalmente dizimar o preconceito.
O leitor pode estar rindo de tamanha utopia, contudo essa é a mais pura das verdades,                                muitos mitos foram derrubados ao longo da história apenas pela elucidação de sua existência, à luz da ciência desmistifica tabus, fantasias e superstições, cujo fundamento, quando investigado, mostra apenas que sua existência se dá por interesses privados, quase sempre relacionados a subjugação de alguns sobre muitos, não devemos esquecer o período medieval, exemple inequívoco do prevalecimento da ignorância de muitos para atender o interesse de um pequeno grupo e mantê-lo no poder.
Debater igualdade sob as sombras da ignorância não acrescente nenhum valor, não transforma, e infelizmente foi isso que assisti, seres humanos discutindo igualdade sem  enxergarem-se como iguais, criando mais uma lei que não vai ser respeitada, ou como dizem aqui, não vai pegar, gastando tempo, papel e dinheiro dos cofres públicos, que diga-se de passagem sai do nosso bolso.


Pessoal, legal receber tantos emails, que tal fazer comentarios no blog também, dividam com os outros leitores suas opiniões, dividindo a gente multiplica.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Professores X Administração Escolar

O titulo parece competição, mas infelizmente não parece, é isso mesmo.
Aos professores cabe ensinar, avaliar, e hoje em dia também educar, para isso precisam de apoio pedagógico e administrativo, mas na realidade o que acontece?
Quem trabalha para as Secretarias de Educação Governamentais sabe muito bem o que acontece. Hoje em dia o professor profissional tem que também formar-se em Direito, e especializar-se em legislação educacional pois senão ele estará sujeito à interpretação leiga dos "entendidos" que trabalham para dar o suporte do qual eles necessitam ou então contratar um advogado, pagando regiamente, para ter tal assessoria.
As mazelas diárias apontam para uma competição desleal e desnecessária, afinal a grande maioria dos coordenadores, diretores, supervisores, etc, saíram da sala de aula para exercerem esses cargos, e quando os ocupam esquecem de onde vieram, e passam a exercê-los de forma autoritária e opressora.
Professores que passam a ocupar cargos na administração entendem isso como promoção, em muitos casos alguns deles até retornam para a sala de aula, mas talvez por deformidade de formação ou arrogância, esses "profissionais" esquecem sua origem, os problemas enfrentados, comuns aos professores e passam de oprimidos a opressores.
O sistema educacional há muito tempo caminha para o abismo, com o auxilio luxuoso desses profissionais que colaboram para que seja a passos cada vez mais largos.
Recebemos emails de vários professores contando suas tristes histórias de como foram tratados por seus  "superiores" e assim estamos enviando algumas sugestões com possíveis soluções para resolver ou minimizar essas atitudes:
  • Professores que "viraram" coordenadores, diretores, supervisores e etc e passaram a distribuir "patadas", tratar os colegas como inferiores, olhando por cima do ombro. O que fazer? Se você é assim, desce do salto, você em muitos casos "esta" ocupando um cargo, promoção para professor e conseguir uma sala de aula onde todos os alunos estão interessados em aprender; não esqueça que seus colegas outro dia mesmo estavam te dando carona, dividindo o café, o lanche, alguns até te convidaram para festas familiares; o mundo é redondo é dá voltas; use seu "poder" para ser solidário, melhorar a educação, interesse-se pelas pessoas, são seres humanos iguais a você, partilhe seu conhecimento, você não sabe tudo e com humildade pode aprender muito mais, e no pior dos casos vai ter muita gente chorando no seu enterro.
  • Diretor de Escola que ofende professor e o humilha publicamente. O que fazer? Denunciar, o professor é um trabalhador como outro qualquer, esse tipo de ação é conhecida como assédio moral e esta prevista em lei, não se cale, você que sofre calado com isso também é responsável pelas ações dessas pessoas quando se omite em denunciar os abusos praticados.
  • Interpretações equivocadas de legislação por parte dos funcionários da DE. O que fazer? Primeiramente NUNCA peça informações verbalmente, faça esse pessoal trabalhar, afinal eles ganham para isso, protocolo na diretoria da escola ou na DE ou ainda na Secretaria de Educação, documente-se, mas se você é ecologicamente correto e não quer gastar papel, leve uma testemunha.   Porque tudo isso? A memória desses funcionários é problemática, talvez seja falta de fósforo, eles nunca lembram o que disseram, e como são uma corporação sempre haverá um deles que vai testemunhar e jurar que você não disse o que disse.
Claro que existem pessoas da melhor qualidade (ainda bem!) nestas repartições, e nessas você pode e deve confiar, pois saíram da sala de aula por competência administrativa, são profissionais e idealistas, usam seus cargo ou função para  melhorar, para colaborar, e são fáceis de identificar. São aqueles que estão super ocupados todos os dias, mas que sempre arrumam um tempo para te atender e te ajudar, lembram seu nome e qual a disciplina que você leciona.
Esses são os exemplos a serem seguidos, seres humanos de valor. E se todos procurassem agir assim? Seria o mundo ideal, professores que não esquecem que saíram da sala de aula e trabalham pelos seus pares e pela melhoria da educação. Utopia? Talvez. Mas sonhar ainda não paga imposto.

Se vocês quiserem dividir com os colegas suas histórias, que com certeza são muitas, enviem email e publicaremos quando possível.

sábado, 26 de março de 2011

Pais sem educação, filhos mal educados. (I)

Outro dia, participando de uma reunião, na qual se debatia qual era o maior problema na Educação, e assim, quem sabe, obtendo-se a resposta, poderíamos ter a fórmula que iria salvar a lavoura.
Pois bem, um dos colegas sugeriu que os pais eram os grandes culpados pela falta de educação de seus filhos, e assim muitos concordaram, animados por estarem no caminho certo.
Como sempre, a ânsia em descobrir um culpado leva a um equivoco.
A culpa é um dos sentimentos mais necessarios à humanidade, acredito que sem ela não haveira evolução, nem teriamos chegado ao capitalismo, depois de ter passado por sistemas tão ruins quanto. A Culpa domina a humanidade, e devido a formação judaico-cristã de boa parte do mundo, ela é cultivada em todos os setores da vida, na familia, no trabalho, na vida pública e privada. Sem o sentimento de culpa não teríamos figuras ilustres como Freud ou Hitler, Picasso ou Jesus Cristo, se não fosse a culpa não teriamos a divisão de classes, nem os grandes monumentos aos faraós, enfim, voces já entenderam o que quero dizer.
Por outro lado, a Responsabilidade é um senso pouco comum, apesar de tão bem apregoado.
Ser responsável e reconhecer-se parte, ter ciencia de seus direitos e deveres, e então agir coerentemente, contudo a humanidade não esta preparada para ser responsável, porque a culpa implacável, cobra-se, a responsabilidade orienta-se pelo exemplo.
A Educação brasileira esta praticamente no fundo do poço, apesar do marketing gevernamental baseado em estatíscas, a midia não controlada demonstra claramente isso.
Sabedores disso, os governos tratam de jogar a culpa nos professores, que por sua vez jogam a culpa nos pais, e que pais são esses?
Tanto a rede publica quanto a particular sofrem do mesmo mal (?), pais que trabalham. Mães que sofrem por culpa, nossas crianças e adolescentes são educados pelos pais seguindo dois extremos, um totalmente permissivo, que gera pequenos tiranos ditadores, e adolescentes violentos e inconsequentes, o outro expressão máxima do descaso, gera seres invisiveis e adolescentes violentos sem valores.
Chocante, mas real.
Infelismente só uma pequena parcela dos filhos hoje em dia são criados num ambiente adequado, com bons exemplos de responsabilidade, que vai desde jogar um pequeno pedaço de papel na rua até a corrupção ativa vangloriada nos churracos de domingo.
Como os professores os pais devem ser responsabilizados.
Vivenciei uma experiência terrivel alguns anos atrás quando uma mãe diante da reclamação por parte do professor do comportamento do filho disse achar melhor chamar o Conselho Tutelar pois ela não sabia mais o que fazer com seu rebento,  que álias estava no alto dos seus nove anos de idade, bastente experiente em terrorismo infantil, tambem conhecido como bulling.
Ora, se uma mãe não sabe mais o que fazer com seu próprio filho, quem saberá.
Delegar a terceiros a responsabilidade de educar seus próprios filhos é uma forma de assumir a culpa por sua inapitidão, sua incompetência, afinal dá pra viver com culpa, mas assumir responsabilidades é mais dificil.
É mais fácil ser pedra do que vidraça.

Agradeçemos os emails recebidos por nossos amigos e leitores, suas sugestões e dpoimentos foram anotados e em breve farão parte de nossos comentários.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Professores Uni-vos.

Muito triste a carreira de professor.
Carreira?? 
Reduzidos a uma categoria descategorizada, caminham para o futuro incerto.
Recentemente tive o desprazer de ouvir uma palestra de um renomado professsor universitário na qual ele afirmava serem os professores do ensino médio e fundamental "vendedores de catálogos, calçando chinelo de borracha". 
Muito triste, afinal muitos destes professores possuem pos graduação, mestrado e alguns poucos doutorado, não são seres desprovidos de conhecimento, contudo estão longe de ser profissionais reconhecidos por isso, estão distantes de serem chamados de pensadores e cientistas, esqueceram de seu papel fundamental como formadores de opinião e suas responsabilidades pelo "status quo" da sociedade, infelismente muitos são realmente meros revendores de catalogos, afinal todo mundo precisa sobrevier e o magistério perdeu o seu glamour faz tempo.
Mas o que fazer, indignar-se? Também. Mas é preciso que a categoria comece a repensar seu papel e assumir suas responsabilidades, e falar de responsabilidade com professor é um problema sério, a resistência é enorme, pois a herança dos tempos passados onde a palavra do professor era lei permanece.
Entretanto ficar confortavelmente calado esperando o salário de fome no final do mês tem um custo muito alto, as estatiscas estão ai, demonstrando isso no número absurdo de professores sofrendo de males psicossomáticos e fisicos causados pelo exercicio da profissão que escolheram.
O que fazer?
Para essa pergunta existem muitas respostas, mas qual a certa, se é que existe uma resposta certa.
 Será que é uma profissão fadada ao desaparecimento?
Sombrio.
Vamos ser otimistas, e debater a educação em todos os seus aspectos, quem sabe assim poderemos encontrar as respostas que poderão ser significativas e propor soluções que elevem o padrão educacional e contribuam para o exercicio do magistério de maneira plena e auspiciosa.
Se uma cabeça pensa melhor que uma, várias cabeças poderão encontrar caminhos melhores.